Caríssimos irmãos, religiosos e leigos da Família Pavoniana,

No dia primeiro de novembro, celebraremos a Solenidade de Todos os Santos. A Constituição Apostólica Lumen Gentium nos recorda: Na Igreja, todos, tanto aqueles que pertencem à hierarquia quanto aqueles que são por ela orientados, são chamados à santidade, segundo as palavras do Apóstolo: “Esta é, na verdade, a vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4,3; cf. Ef 1,4)  (LG 39).

Nosso Fundador é para nós um modelo de santidade. Seguindo Cristo e tendo como exemplo São Ludovico Pavoni, também nos tornaremos santos. Temos ainda o exemplo de tantos religiosos e leigos pavonianos cujas vidas foram verdadeiros testemunhos de santidade; basta aprendermos com eles.

No dia 2 de novembro, celebraremos o Dia de Finados. Sentimo-nos unidos àquelas pessoas familiares, amigos, pavonianos... que nos precederam e que, junto de Deus, continuam a cuidar de nós.

Celebremos em nossas comunidades uma Eucaristia pelo descanso eterno dessas pessoas, com as quais continuamos unidos em comunhão.  Oferecemos sufrágios por nossos falecidos e conservamos viva a sua memória. O exemplo de seu testemunho e a ajuda de sua intercessão nos fortalecem na decisão de levar à sua plena realização a entrega voluntária de nós mesmos ao Senhor, ao ingressarmos nesta Sociedade  (RV 144).

Rezemos também pelas pessoas que morrem sem que ninguém se lembre delas, por aquelas que morrem injustamente em consequência das guerras, da violência e do ódio de outras pessoas.

Continuemos a rezar sem desanimar pela paz no mundo. Rezemos pelo crescimento da justiça, sem a qual não pode haver paz. Não nos acostumemos com um clima de guerra, nem a ouvir as notícias como se elas não nos dissessem respeito.

Em um mundo dividido e polarizado, peçamos ao Senhor que cada um de nós, assim como nossa Família em seu conjunto, possa ser construtor de pontes, e não de muros, começando por nós mesmos, em nossas comunidades, e estendendo essa atitude às pessoas que encontramos ao longo do caminho da vida.

Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver um espectador teórico, um pensador distante ou um estadista; ele é um homem que se envolve pessoalmente, tornando-se companheiro de caminhada e referência de vida e de futuro para eles. Coloca em segundo plano seus interesses pessoais, suas aspirações de realização própria e de sucesso na vida; sente-se feliz quando seus filhos se sentem seguros, progridem e crescem como pessoas e como filhos de Deus.

Tudo parte da experiência que Ludovico tem de se sentir amado e querido por Deus. Estou convencido de que, quando experimentamos o amor de Deus, essa experiência nos torna capazes de amar. Continuo repetindo uma frase que não é minha, mas que expressa uma grande verdade:  Deus nos ama como somos, mas nos sonha melhores. E nos tornamos melhores quando sabemos amar.

Para que cresça em nós, pavonianos, religiosos e leigos, a paixão pelos jovens que encontramos ao longo do caminho da vida, precisamos:

Reconhecer a presença de Jesus nos adolescentes e nos jovens. Eles não são apenas um dom de Deus, mas também a voz de Deus para nós. Lembremo-nos de que:  Em verdade vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizestes (Mt 25,40).

Saber educá-los para a transcendência. Ajudá-los a fazer a experiência de um Deus que acompanha a vida do ser humano e que não está fechado nas igrejas ou limitado às práticas religiosas. Um Deus que é Pai e Mãe, que não possui uma varinha mágica para nos livrar das adversidades ou dos sofrimentos da vida, mas que se alegra e sofre com o ser humano, dando sentido a tudo o que nos acontece.

Ter confiança nos adolescentes e nos jovens, alimentando a respeito deles as mais belas esperanças. Em um pavoniano, religioso ou leigo, não há espaço para expressões como:   Os jovens de hoje não têm valores»;  Estas novas gerações estão perdidas;  Os jovens de hoje vivem na superficialidade, passar tempo com eles é desperdiçá-lo. Não vale a pena; Os jovens incomodam e atrapalham; O que será do mundo, da Igreja e da Família Pavoniana com esses jovens? ; Esses jovens são carne para canhão.

Se temos esses pensamentos, é melhor nos dedicarmos a outra coisa, pois não servimos como educadores com o coração de Pavoni.

 Tornar-nos companheiros de caminhada, por meio de uma vida dedicada e autêntica, educando pelo exemplo. Ser para eles pontos de referência, agindo com retidão, honestidade, dedicação, generosidade e disponibilidade. Precisamos compreender que os jovens não procuram educadores perfeitos, mas educadores coerentes, isto é, que procuram fazer aquilo que dizem. Devemos tratá-los com civilidade, doçura e respeito, como se fossem um tesouro precioso e santo. Exigir deles amor e responsabilidade.

Mas, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem em mim, melhor seria que lhe pendurassem ao pescoço uma pedra de moinho e o lançassem nas profundezas do mar (Mt 18,6).

Ajudá-los a crescer como pessoas, para que possam viver na sociedade em que estão inseridos e que também são chamados a construir. Ajudá-los a assimilar valores que lhes permitam enfrentar as diferentes situações da vida sem perder o rumo. Precisamos compreender que os valores humanos que cultivamos neles são também valores do Evangelho.

 Ajudá-los a desenvolver a capacidade crítica, que lhes permita ser eles mesmos diante de tanta manipulação e da atração exercida por modismos e ideologias que não buscam o bem da pessoa ou o bem comum, mas interesses de natureza menos nobre.

 Vivemos em um mundo plural e diversificado. Ajudemos nossos jovens a aceitar as diferenças, a desenvolver a empatia e a ser tolerantes, sabendo que, acima de tudo, está a pessoa humana e sua dignidade.

Respeito e valorização da identidade de cada pessoa, sem discriminação de sexo, idade, raça, religião, ideologia, condição social ou qualquer outra forma de discriminação (Pacto Educativo Global).

É muito importante formar nossos jovens para que saibam acolher a fragilidade e a vulnerabilidade dos outros.

 Ajudar nossos jovens a desenvolver a sensibilidade e a contribuir para o cuidado da Casa Comum, por meio de uma educação fundamentada na ecologia integral.

Proteger e cultivar a nossa Casa Comum, preservando seus recursos, adotando estilos de vida mais simples e investindo em energias renováveis e respeitosas com o meio ambiente (Pacto Educativo Global).

É evidente que, para crescermos na paixão pelos adolescentes e pelos jovens, como educadores com o coração de Pavoni, a comunidade educativa tem uma importância fundamental. Nossa força está na união, na colaboração e na sinergia entre os educadores. De nada adianta a desunião, agir de forma isolada ou assumir atitudes individualistas. A união é a nossa força e favorece o êxito desta missão.

Também é evidente que a paixão se manifesta com maior intensidade quando somos jovens e estamos no auge de nossas forças. Assim como acontece no amor e na paixão humana, quando somos jovens temos força e capacidade para superar todas as dificuldades. Com o passar dos anos, porém, nossas forças diminuem e corremos o risco de seguir adiante por inércia, perdendo a paixão.

Peço aos jovens que não envelheçam antes do tempo, que não se acomodem, que não percam a paixão e o desejo de estar junto dos adolescentes e dos jovens que Deus coloca em seu caminho.

Peço aos mais velhos que, mesmo quando suas forças diminuírem, continuem sendo uma presença significativa entre os adolescentes e os jovens. Essa presença significativa se expressa na paternidade, na preocupação, no interesse pelos adolescentes e pelos jovens e na confiança depositada neles, mesmo quando, às vezes, não compreendem suas atitudes.

Que não desapareçam! Que aqueles que, durante tantos anos, foram companheiros e pais dos jovens saibam agora ser avós, com o mesmo amor que sempre tiveram. A idade pode diminuir nossas forças, mas jamais o amor e a paixão que foram fortalecidos ao longo de uma vida dedicada à amada vinha do Senhor.

Agenda do mês

- 1º: Solenidade de Todos os Santos.

- 2: Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (Dia de Finados).

- 5 a 9: Visitarei a comunidade de Milão.

- 12 a 18: Visitarei a comunidade de Bréscia.

- 21 a 24: Visitarei a comunidade de São Barnabé, em Roma.

- 25 a 27: Participarei da assembleia conjunta dos Superiores e das Superioras Gerais (USG e UISG), em Roma. No dia 26, teremos um encontro com o Papa Leão XIV.

- 28 a 30: Visitarei a comunidade de Casaletto, em Roma.

- 29: Início da novena da Imaculada Conceição.

Coloco a caminhada de nossa Família sob a proteção da Virgem Imaculada, nossa querida Mãe, e de São Ludovico Pavoni, nosso Santo Fundador.

Um abraço fraterno e sempre agradecido.

Pe. Ricardo Pinilla Collantes

Tradate, 31 de outubro de 2026.

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